(Confederação de Inteligências Comunitárias para o Bem Comum)
Versão 0.1 — para ser debatida, melhorada e reassinada
Nós estamos vivendo um daqueles momentos raros em que a história muda de marcha.
A inteligência artificial deixou de ser “uma ferramenta” e virou infraestrutura: ela atravessa trabalho, educação, saúde, cultura, política, segurança, afeto e linguagem. E toda infraestrutura responde a uma pergunta que quase nunca é feita em público:
Quem controla? Quem lucra? Quem paga o custo?
Hoje, a resposta dominante é inquietante: a IA é cada vez mais centralizada, opaca e extrativa. Ela cresce alimentada por dados arrancados do cotidiano — muitas vezes sem consentimento real — e oferece em troca um pacto silencioso:
ou você aceita, ou você fica de fora.
Nós dizemos: não aceitamos.
Este manifesto funda uma proposta simples e radical: criar uma alternativa viva — uma rede confederada de Zonas Autônomas Interdependentes de IA, onde comunidades possam usar, treinar, governar e compartilhar inteligência de forma soberana, cuidada e orientada ao bem comum, sem submissão aos mecanismos hegemônicos.
A história é cheia de cercas.
Cercaram a terra.
Cercaram a água.
Cercaram a cultura.
Agora querem cercar a cognição.
Quando poucas instituições controlam modelos, servidores, padrões e dados, surge um regime novo (e antigo ao mesmo tempo): um monopólio da mediação do pensar.
E isso tem consequências: